Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

Esqueça a Auto-Estima – O que você precisa para ser bem sucedido é auto-compaixão

Artigo originalmente publicado por Heidi Grant Halvorson Ph.D. em 24 de Setembro de 2012 na revista Psychology Today.


Se você fizer uma busca na sessão de Auto-Ajuda da Amazon, encontrará aproximadamente 5.000 livros na categoria Auto-Estima. A maior parte deles não só mostra os motivos pelos quais sua auto-estima pode estar baixa, mas também como elevá-la. É um próspero negócio, uma vez que, ao menos em culturas Ocidentais, a auto-estima é considerada fundamental para o sucesso de um indivíduo. Segundo esse raciocínio, não há possibilidade de sucesso a menos que se seja absolutamente perfeito.

E é claro que você tem que ser absolutamente perfeito para continuar acreditando que é perfeito – e convive com um silêncioso temor de cometer erros, sentindo-se arrasado quando isso acontece. Sua única defesa é focar a atenção em todas as coisas que faz bem, mentalmente surrando seu ego até que ele esqueça o terrível episódio de imperfeição e foque em algo mais aceitável.

Pensando bem, isso não soa exatamente como uma receita de sucesso. E não é mesmo. Revisões recentes das pesquisas sobre o tema chegaram à embaraçosa conclusão de que ter uma auto-estima elevada não é tudo aquilo que costumava-se dizer. E não é um indicador de performance ou sucesso. Apesar de as pessoas com elevada auto-estima realmente acharem que são mais bem sucedidas que as outras, na verdade não são.  Ter uma auto-estima elevada não o torna um líder mais eficiente, melhor amante, mais saudável ou mais atrativo e convincente em uma entrevista de trabalho. Mas se ter uma auto-estima elevada (junto com afirmações diárias de quanto você é maravilhoso) não é a solução para os seus problemas, o que é então?

Um crescente número de pesquisas, incluindo novos estudos feitos por Juliana Breines e Serena Chen, da Universidade de Berkeley, sugerem que a auto-compaixão, e não a auto-estima, pode ser a chave para desbloquear o seu potencial para o sucesso.

Agora, eu sei que alguns de vocês são um tanto céticos com termos como “auto-compaixão”. Mas é uma argumentação científica e baseada em dados – e não uma psicologia barata de auto-ajuda. Portanto, continue comigo e mantenha a mente aberta.

A auto-compaixão é uma pré-disposição a enxergar seus erros e defeitos com acolhimento e compreensão – é abraçar o fato de que errar é humano. Quando você usa a auto-compaixão para enfrentar uma dificuldade, você não se julga impiedosamente e nem fica na defensiva focando em todas as suas qualidades maravilhosas para proteger o ego. Não é de se surpreender que a auto-compaixão, conforme muitos estudos têm demonstrado, acarreta níveis elevados de bem-estar, otimismo e felicidade e menos ansiedade e depressão.

Mas e quanto à performance? Sentir auto-compaixão pode dar uma sensação boa, mas as pessoas que se cobram mais, que são mais exigentes consigo mesmo não são sempre as melhores, as que têm maior probabilidade de serem bem sucedidas?

Para respondermos a essa questão, é importante entendermos o que não é auto-compaixão. Embora expressões como “é hora de descansar, porque ninguém é de ferro” de alguma forma captem o espírito da auto-compaixão, decididamente não querem dizer “pare de trabalhar tanto e diminua suas ambições”. Você pode ser auto-compassivo e continuar assumindo responsabilidade por sua performance. E você pode ser auto-compassivo e ainda assim batalhar pelos mais ambiciosos objetivos – a questão não é onde você quer chegar, mas como você encara os altos e baixos de sua jornada. Aliás, se você é uma pessoa auto-compassiva, as novas pesquisas sugerem que você tem maiores probabilidade de alcançar suas metas.

Em suas pesquisas, Brienes e Chen solicitaram aos participantes que escolhessem entre olhar uma situação com auto-compaixão ou com auto-estima. Por exemplo, quando solicitados a refletir sobre um fracasso, pediram a alguns participantes que se imaginassem conversando consigo mesmo através de uma perspectiva de compaixão e compreensão.

Para outro grupo pediram que focassem em elevar sua auto-estima, conversando consigo mesmo sobre o fracasso mas focando em reforçar suas qualidades positivas.

O grupo que utilizou auto-compaixão foi mais propenso a enxergar seus defeitos como algo que pode ser mudado. A auto-compaixão – que está longe de ser uma forma de “passar a mão na cabeça” – aumentou a motivação das pessoas para melhorarem e evitarem repetir o mesmo erro.

Esse aumento na motivação os levou a uma performance superior. Em outro estudo participantes que não atingiram a média em uma prova inicial ganharam uma segunda chance para aumentarem suas notas. Aqueles que enxergaram seu fracasso inicial com compaixão estudaram 25% mais tempo e tiraram notas melhores na segunda prova do que aqueles que focaram em elevar sua auto-estima.

Porque a auto-compaixão é tão poderosa? Em grande parte porque não envolve comparação – o ego fica fora de questão – você pode encarar de frente seus erros e defeitos. Você pode avaliar suas habilidade e ações e ver o que precisa fazer diferente na próxima vez.

Quando o foco é proteger sua auto-estima, você não pode se olhar com honestidade. Você não pode reconhecer a necessidade de melhora, porque isso significaria reconhecer fraquezas e defeitos – ameaças a auto-estima podem criar sentimentos de ansiedade e depressão. Como aprender a fazer as coisas corretamente quando não se consegue admitir – nem para si mesmo – que se fez errado.

Eis uma verdade incontestável: Você vai meter os pés pelas mão. Todos nós – inclusive pessoas extremamente bem sucedidas – cometemos milhares de erros. A chave do sucesso, como todos sabem, é aprender com os erros e seguir adiante. Mas nem todos sabem como. A auto-compaixão é esse como que você tanto procurava. Portanto, pega leve!

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Publicado às 13 de junho de 2015 por em Compaixão e marcado , .
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