Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

Será Que Vemos a Realidade Como Ela É?

Será que nosso “complexo” mundo humano é uma interface simplificada de uma realidade tão sofisticada que nossas mentes não conseguem vislumbrar?

Hoffman compara nosso mundo à interface visual de um computador.

O espaço e o tempo como os percebemos nesse momento seriam o desktop e os objetos os ícones no desktop.

Não é que nada existe e nossas ações não tem consequências.

Não me jogaria em frente a um trem pelo mesmo motivo que simplesmente não arrasto meu ícone de arquivos pra lixeira, porque eu me levo a serio. Poderia perder semanas de trabalho.

A causalidade existe. O que não existe é o mundo como o vemos.

A evolução nos moldou com símbolos perceptivos para nos mantermos vivos. Vale a pena leva-los a sério. Se virem uma serpente não a toquem. Se virem um precipício, não saltem. Eles foram desenhado para nos mantermos seguros e temos que leva-los a sério. Mas não quer dizer que tenhamos que interpreta-los literalmente. Isso é um erro lógico.

Segundo Hoffman, o espaço e o tempo são a interface pela qual interagimos com a realidade. Ou seja, não são a realidade, são apenas uma interface. Exatamente como no Dzogchen, um conjunto de ensinamentos budistas. Uma vez vi um yogui tibetano declarar que quando se tem a realização da natureza da realidade, ela some, porque você para de projetar – ou projeta conscientemente, se quiser.

Todos vemos o trem porque cada um de nós vemos o trem que construímos. E o mesmo vale para todos os outros objetos.

Claro, todos temos uma mente humana, uma mente que projeta o mesmo tipo de realidade – uma realidade humana.

Tendemos a achar que a percepção é como uma janela aberta para a realidade como ela é. …. Mas não, a realidade é mais como um escritório 3D desenhado para ocultar a complexidade do mundo real e nos conduzir a uma comportamento adaptativo.

Muito parecido com o que o psicólogo e prêmio Nobel da economia Daniel Kahneman chama de Sistema 1, a parte da nossa mente que rapidamente interpreta nossas percepções para que possamos nos movimentar no mundo com facilidade,  mas que gera uma série de erros cognitivos. A problema é que o que Kahneman  chama de Sistema 2, que seria responsável por cálculos mais complicados e percepções mais elaboradas ainda operaria sobre essa interface falsa da realidade, segundo a teoria de Hoffman.

Há algo que existe quando não estamos olhando. Mas não é o espaço-tempo, e nem os objetos físicos.

Quando percebo, através de minha experiência, o que descrevo como um tomate vermelho, estou interagindo com a realidade, mas essa realidade não é um tomate vermelho e não se parece em nada com um tomate vermelho….. Quando percebo algo que descrevo como cérebro ou neurônios, estou interagindo com a realidade, mas essa realidade não é um cérebro ou neurônios, e não se parece em nada com um cérebro ou neurônios. O cérebro e os neurônios não tem poderes causais. Não causam nenhuma de nossas experiências perceptivas e nenhum de nossos comportamentos. Cérebros e neurônios são conjuntos específicos de símbolos para nossa espécie, atalhos.

Uau!!!

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Publicado às 27 de junho de 2015 por em Mente e marcado , .
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