Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

A Armadilha do Desenvolvimento Pessoal

Se quero me tornar uma pessoa melhor, vou olhar para todas aquelas qualidades que não gosto em mim para saber exatamente o que eu quero mudar, certo?  Cuidado para não cair na armadilha da auto-depreciação!

Pinky-self-improvement

Existe um linha tênue entre autodesenvolvimento e autodepreciação, a fronteira entre “eu quero ser melhor” e “eu não sou bom o bastante”. Embora essas afirmações soem parecidas, existe uma diferença sutil porém  muito importante.

Alguns Exemplos de Armadilhas do Desenvolvimento Pessoal

  • Preciso mudar meus pensamentos negativos pois eles estão bagunçando minha vida
  • Devo me focar no presente se não nunca vou ser verdadeiramente feliz
  • Devo me amar mais pois não tenho auto confiança
  • Devo banir minhas inseguranças por que elas estão me deixando pra baixo

Que tipo de energia você sente nessas afirmações? São afirmações que já fiz a mim mesma.  São repletas de negatividade, sugerem que estou em uma penosa batalha, um desconforto, um desgosto comigo mesma.

Algumas pessoas chegam às práticas de autodesenvolvimento por esse caminho.  Mas pode ser uma armadilha, por que precisamos ver o que está errado antes de vermos o que está certo. Sentir a energia negativa do que está errado é uma parte totalmente normal do nosso processo emocional, portanto não podemos simplesmente banir essa etapa.

Então o Que Fazer?

O problema é nos identificarmos mais com o que está errado, do que com o queremos atingir.  Sem saber, colocamos muito mais energia na luta contra o antigo do que na construção do novo.

Essa sensação de “eu preciso me consertar pois não sou bom o bastante” passa a ser o tom predominante de nossa vida, e carrega o peso da impotência, inadequação, fraqueza e esforço, o que torna nosso desenvolvimento muito mais difícil.

Para Começar, Dê um Tempo a Si Mesmo!

É totalmente normal ter desafios psicológicos, ser perseguido por pensamentos negativos e sentir-se inseguro. Isso não é nenhum problema!

Não é sua culpa, é normal e é como a raça humana evoluiu. Eu adoraria entrevistar as 7 bilhões de pessoas desse planeta pra ver se existem mais de uma dúzia delas que NUNCA sentiu isso. Eu realmente acho que é inerente à condição humana e se você não consegue enxergar isso nos outros é porque eles escondem muito bem.

Pense nisso por um momento… Nessa aceitação, nessa confirmação de que você não está sozinho, que não há nada de errado com você, que está tudo bem. Sinta isso lá dentro e deixe que isso dissolva sua tensão de “ não ser bom o bastante” e de “precisar mudar”.

Você está indo bem do jeito que é!

Então Devemos Parar de Pensar em Nos Desenvolver?

Não! Eu sou uma grande defensora do autodesenvolvimento.

Dar um tempo é deixar essa energia que não serve se dissipar, não é deixar que o desejo de se desenvolver se dissipe. E se vamos trabalhar no nosso desenvolvimento, é melhor que o façamos de um lugar de poder e amor.

Experimente Essas Afirmações:

  • Quero diminuir meus pensamentos negativos por que eles não me servem mais
  • Amo desenvolver minha habilidade de permanecer presente por que sinto bem em estar no presente
  • Estou aprendendo a me amar mais por que me faz bem
  • Quero diminuir minha insegurança por que sei que sou digno de me sentir seguro

Que tipo de energia você sente nessas afirmações? Para mim elas são inspiradoras, poderosas, fiéis, amorosas e acolhedoras. Se partirmos desse ponto, o autodesenvolvimento é maravilhoso, expansivo e uma jornada muito mais bem sucedida.

Conscientemente reformule suas afirmações para não cair na armadilha da autodepreciação.

Da próxima vez que começar a pensar nas coisas que precisa “melhorar” – sua energia, emoções, linguagem — preste atenção se não está cruzando a linha entre “eu quero ser melhor “e” eu não sou bom o bastante”?

Se sim. Dê-se um tempo, reformule suas afirmações e aproveite a jornada do crescimento.

 

Texto Original de Pinky Jangra em The Positive Psychology People

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2 comentários em “A Armadilha do Desenvolvimento Pessoal

  1. Dilcio Cassiano de Souza
    13 de abril de 2016

    Não compreendi bem por que devo esquecer a minha auto-estima para me dedicar ao processo de auto-compaixão. Em vez de me sentir sempre otimista e auto-confiante, devo esquecer isto para me sentir auto-compadecido, o que na certa me enfraquecerá?

    Curtir

    • Corações & Mentes
      13 de abril de 2016

      Oi Dilcio,

      Essa é uma ótima colocação. O conceito de compaixão que está sendo muito estudado nas grandes universidades americanas e européias vem da tradição budista, onde compaixão é simplesmente querer evitar o sofrimento (próprio ou alheio) e estar determinado a evitá-lo. Mas na cultura cristã ocidental, sentir compaixão está muito ligada a nos compadecermos e por isso cria um pouco de confusão.

      Falamos exatamente sobre isso nesse artigo:

      Depois me diga o que achou!

      Abraços!

      Curtir

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Publicado em 31 de março de 2016 por em auto-compaixão, Compaixão, Sem categoria.
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