Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

3 Formas de Entender Melhor Suas Emoções

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Saber lidar com as próprias emoções é uma habilidade chave para um líder. E nomear as emoções — o que os psicólogos chamam de rotular —é um importante primeiro passo para lidarmos efetivamente com elas. Porém, isso é mais difícil do que parece; muitos se debatem para identifica o que exatamente estão sentidos e, frequentemente, o rótulo mais óbvio não é o mais adequado.

Existem várias razões pelas quais isso é tão difícil: Fomos treinados para acreditar que emoções fortes devem ser suprimidas. Temos certas regras (muitas vezes implícitas) sociais e organizacionais de não expressar fortes emoções. E nunca nos ensinaram a descrever corretamente nossas emoções. Considere os exemplos:

Neena estava em uma reunião com Jared e ele ficava dizendo coisas que a faziam querer explodir. Além de ficar constantemente interrompendo-a, ele novamente lembrou a todos daquele projeto em que ela fracassou. Ela ficou com muita raiva.

Mikhail chega em casa depois de um longo dia de trabalho e suspira ao pendurar o casaco.  Sua esposa pergunta se aconteceu alguma coisa. “Estou só estressado” diz, pegando o laptop para terminar um relatório.

Raiva e estresse são as duas emoções que mais vemos no trabalho — ou, pelo menos esses são os termos mais frequentemente usados. Porém, em geral são apenas máscaras para sentimentos mais profundos que poderíamos e deveríamos descrever com mais precisão, para que pudéssemos desenvolver um nível maior de agilidade emocional, uma capacidade crítica que nos permite interagir com mais sucesso conosco mesmo e com o mundo.

Sim, pode ser que Neena estivesse com raiva, mas será que também estava triste? Triste por seu projeto ter fracassado, e talvez ansiosa também, achando que esse fracasso vai lhe perseguir por toda sua vida e sua carreira. Como Jared a interrompia o tempo todo, sua ansiedade parecia cada vez mais justificada. Porque o projeto não funcionou? E como se sairá em seu novo trabalho?  Todas essas emoções alimentam sua raiva, mas também são sentimentos separados que ela deve identificar e dar atenção.

E se o que estiver por detrás do estresse de Mikhail for sua incerteza em relação a estar na carreira certa? Antigamente ele gostava de trabalhar até tarde — porque não gosta mais? Certamente está estressado, mas o que acontece por de trás do estresse?

Essas perguntas abrem um mundo de possíveis investigações e respostas para Neena e Mikhail. Assim como eles, precisamos de um vocabulário mais amplo para as emoções, não só para sermos mais precisos, mas também porque diagnosticar incorretamente nossas emoções nos faz reagir de forma incorreta. Se achamos que precisamos cuidar da nossa raiva, teremos uma abordagem diferente da que teríamos se quiséssemos cuidar do nosso desapontamento ou ansiedade, e não vamos cuidar deles.

Cientistas têm constatado que quando as pessoas não reconhecem e não dão atenção às suas emoções, demonstram menos bem estar e mais sintomas de estresse, como dores de cabeça, por exemplo.  O custo de evitar sentimentos é muito alto, enquanto que ter o vocabulário correto nos permite saber o que realmente está acontecendo. Assim podemos pegar uma experiência complicada, compreendê-la mais claramente e desenvolver uma estratégia para resolver o problema.

Abaixo descrevo três maneira de perceber com mais precisão as nossas emoções:

Amplie Seu Vocabulário Emocional

Palavras são importantes. Se estiver sentindo uma emoção forte, pare por um instante e avalie o que está sentindo. Mas não pare por aí: uma vez que a tenha identificado a emoção, tente encontrar mais duas palavras para descrever o que está sentindo. Você pode se surpreender com a extensão de suas emoções — ou com o fato de que desenterrou uma emoção mais profunda, que se escondia por detrás de uma mais óbvia.

Abaixo deixo uma lista de termos emocionais; você pode encontrar muitos outros ao pesquisar no Google.

 

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Tão importante quanto fazer isso com as emoções “negativas” é fazer com as “positivas.” Ser capaz de dizer que está entusiasmado com o novo trabalho (e não apenas “nervoso”), e que você confia em um colega (e não apenas o “acha legal”), por exemplo, lhe ajudará a determinar quais são as suas intenções em relação ao trabalho ou ao relacionamento, de forma a torná-los muito mais produtivos e recompensadores.

Considere a Intensidade da Emoção

Em geral, pulamos facilmente para termos como “raiva” e “estresse”, mesmo quando nossas emoções são bem mais brandas. Eu tinha um cliente, que vou chamar de Ed (esse não é seu verdadeiro nome), que estava com problemas em seu casamento; ele frequentemente descrevia sua esposa com “raivosa” e acabava ficando com raiva também. Mas todas as emoções têm uma variedade de sabores, conforme mostrado na tabela acima. Quando tentamos buscar outras palavras para as emoções de sua esposa, Ed percebeu que algumas vezes ela estava apenas incomodada ou irritada. Esse insight transformou seu relacionamento, pois ele percebeu que ela não estava sempre com raiva. Isso significava que ele podia reagir à emoção ou preocupação específica de sua esposa, sem ficar com raiva. Também é importante, quando você avalia seu estado emocional, saber se está com raiva ou apenas mau humorado, triste ou desanimado, exultante ou apenas satisfeito.

Ao rotular suas emoções, avalie-as em uma escala de 1 a 10.  Quão profundo é seu sentimento? Quão urgente ou quão forte é? Isso lhe faria escolher outras palavras para descrevê-lo?

Escreva

James Pennebaker pesquisa há mais de 40 anos a relação entre os processos emocionais e a escrita. Suas pesquisas revelam que pessoas que escrevem sobre seus episódios emocionais mais intensos aumentam significativamente seu bem estar físico e mental. Além disso, em um estudo com pessoas recentemente demitidas, Pennebaker constatou que aqueles que investigaram seus sentimentos de humilhação, raiva, ansiedade e dificuldade de relacionamento apresentavaram três vezes mais chances de serem recolocadas do que o grupo de controle.

Essas pesquisas também revelaram que, ao longo do tempo, as pessoas que escreviam sobre seus sentimentos obtiveram mais insights sobre o seu significado (ou ausência de significado!), usando frases como “aprendi que”, “percebi que”, “a razão disso”, “agora percebo” e “entendo que”. O processo de escrever lhes permitiu desenvolver uma nova perspectiva sobre suas emoções, além de compreendê-las melhor e também as suas implicações.

Segue um exercício que você pode usar para refletir enquanto escreve. Você pode fazer isso todos os dias, mas é particularmente útil quando está passando por uma fase difícil ou um período de transição, ou quando está em meio a uma crise emocional  — ou se tiver uma experiência difícil que acha que ainda não conseguiu processar.

  • Acerte o despertador para 20 minutos
  • Em seu computador, escreva sobre suas experiências emocionais da última semana, mês ou ano.
  • Não se preocupe em fazer um texto perfeito ou de fácil leitura; vá onde sua mente lhe levar.
  • No final, não precisa salvar o documento. o importante é que agora os pensamentos estão fora de você e dentro do documento.

Você também pode usar essas três estratégias — aumentar seu vocabulário, perceber a intensidade de uma emoção e escrever a seu respeito — para entender melhor as emoções de outra pessoa. Como vimos nos exemplo de Ed e sua esposa, também tendemos a rotular mal as emoções das outras pessoas, e as consequências são parecidas. Ao compreender com mais precisão o que o outro está sentindo, estaremos mais bem preparados para responder de uma forma construtiva.

Uma vez que entenda o que está sentindo, você pode cuidar melhor de suas emoções e aprender mais com elas. Se Neena cuidar da tristeza e arrependimento que sente por seu projeto ter fracassado — assim como da ansiedade a respeito do que isso significa para sua carreira — será mais produtivo do que tentar descobrir como lidar com a raiva que sente por Jared. E se Mikhail conseguir reconhecer a ansiedade a respeito de sua carreira, pode começar a planejar seu futuro mais deliberadamente — ao invés de simplesmente enterrar-se no mesmo tipo de trabalho quando chega em casa.

Susan David é fundadora do Instituto McLean de Coaching de Harvard e professora em Harvard. É autora do livro Agilidade Emocional (Avery, 2016) baseado no conceito nomeado pela HBR como a Ideia de Gerenciamento do Ano. 

Texto original Harvard Business Review

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Um comentário em “3 Formas de Entender Melhor Suas Emoções

  1. ANAFOG
    19 de setembro de 2017

    muito bom

    Curtir

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Publicado em 27 de novembro de 2016 por em Sem categoria.
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