Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

Livre-se da Ansiedade Desnecessária em Relação aos Outros

Outras pessoas podem nos deixar ansiosos. Às vezes o medo é justificado, porém, na maioria das vezes não é. Como superar medos sem fundamento?

Families Standing Together

 

Todos conhecemos este medo: Estamos andando na rua e percebemos uma pessoa estranha vindo em nossa direção. Por um segundo sentimos uma desconfiança, uma apreensão e uma tensão no corpo: uma avaliação quase inconsciente de uma possível ameaça.

Em uma outra situação, você entra em uma reunião com pessoas conhecidas, mas sente uma certa desconfiança, um receio, um cuidado com o que fala, que vem mais de uma sutil ansiedade do que de uma prudência.

Você teme que alguém discorde do que irá dizer na reunião, então sente-se desconfortável, desequilibrado e desprotegido; depois, talvez, você comece a se preocupar com o que os outros acharam da forma como respondeu a um desentendimento: Será que estava muito irritado e pressionei muito? Será que eles acharam que eu estava na defensiva? Como será que eu deveria agir da próxima vez?

Quando você chega em casa, seu filho adolescente está quieto e irritado como sempre. Você gostaria de dizer-lhe que a distância fria entre vocês é horrível, gostaria de abrir seu coração, mas vai parecer estranho e você tem medo de deixar a situação ainda pior.  Quando criança, você abriu o coração e o resultado não foi bom. Seus medos de criança começam a aparecer e fortalecer os medos atuais, e você resolve ficar quieto, de novo.

Essas são apenas nossas pequenas ansiedades. Imagina as grande, como o medo dos outros ficarem com raiva da gente, o medo de falar em público, de falar com autoridades, do que os outros acham de seu corpo ou de estar em meio a pessoas que são diferentes de você.

Às vezes esses medos são justificados. Pessoas em casa ou no trabalho podem realmente querer nos machucar. Em maior escala, pense na Europa no limiar da Segunda Guerra Mundial, quando algumas pessoas começaram a tratar as outras muito mal e esses fatos foram subestimados, o que depois provou ter consequências devastadoras. Existem muitos exemplos como esse.

Mas geralmente o nosso medo dos outros não é justificado. Geralmente eles não estão nem um pouco preocupados com o que fizemos, somos apenas pequenas personagens no grande drama de suas vidas. Quando se preocupam, é por pouco tempo. Mesmo que uma pessoa reaja a algo que fizemos, o mais provável é que consigamos lidar muito bem com sua reação.

Além disso, se realmente houver uma situação que requeira nossa atenção —  um conflito, uma discussão, uma traição — podemos encará-la com clareza, força, confiança e segurança. Não precisamos ficar ansiosos. Ansiedade é algo que adicionamos à nossa resposta às situações; algumas vezes ajuda, mas normalmente confunde nosso raciocínio, cria muito sofrimento e alimenta desavenças.

Podemos errar de duas formas: ter ansiedade demais ou ter ansiedade de menos. Devemos nos esforçar para evitar qualquer um desses extremos. Mas qual é o mais comum? O primeiro: ansiedade desnecessária que acrescentamos ao molho da vida, deixando-o amargo.

O maior obstáculo é sempre a representação, nunca a realidade — Etty Hillesum

COMO?

Esteja atento á sua ansiedade quando próximo a outras pessoas. Esteja atento especialmente a sensações de desconforto, preocupação, tensão ou nervosismo. Esteja atento ao seu corpo, àquele batimento cardíaco um pouco mais rápido ou à sensação estranha no estômago. Perceba os pensamentos passando, murmurando em sua mente, superestimando as ameaças e subestimando seus recursos, prevendo problemas que dificilmente acontecerão.

Esteja ciente do custo da ansiedade desnecessária. Além de nos sentirmos mal, ficamos acuados, com receio de nos manifestar, nos escondemos, ou procuramos briga. Então decida, no seu coração, que quer  livrar-se desse medo inútil.

Quando estiver perto de alguém que confia, fale para si mesmo: sei que você não vai me atacar e, mesmo que atacasse, em meu âmago eu estaria bem.  E acrescente: Desejo-lhe tudo de bom. Se tiver alguma dificuldade com essa prática, tente fazê-la com outras pessoas que o amem. O principal aqui é encontrar um lugar, um estado mental, onde reconheça as outras pessoas e situações como realmente são, onde sinta que consegue cuidar de si, e que não é preciso adicionar uma ansiedade desnecessária.

Então tente praticar com um ou mais amigos — e depois com uma pessoa neutra, que pode ser um estranho na rua, por exemplo. E a seguir com uma pessoa com quem tenha dificuldade. Se realmente houver uma justificativa para ficar ansioso, fique. Caso contrário, continue abrindo-se para a experiência de ser realista em relação aos outros e forte para cuidar de si, sem medos infundados.

Tente essa abordagem quando interagir com os outros. Será que consegue conversar com um membro da família, um amigo, uma pessoa neutra e uma pessoa difícil sem nenhuma preocupação, alarme, sensação de ameaça ou desconforto?  À medida que aprofundar o sentimento de destemor em relação aos outros, continue permitindo que essa experiência permeie seu ser para que sinta-se cada vez mais a vontade com essa forma de ser.

Aproveite a sensação de liberdade que essa prática trás, quanto mais confortáveis nos sentirmos com os outros, mais confiança teremos. Perceba como fica mais relaxado, paciente, aberto e amoroso com as outras pessoas quando não está com medo.

Que alívio!

Texto traduzido e adaptado do original Just One Thing: Relax needless fear around others

 

 

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Publicado em 1 de dezembro de 2016 por em Sem categoria.
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