Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

Como Cuidar dos Outros sem Entrar em Fadiga

 

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Em nosso mundo altamente estressado, muitos cuidadores da área da saúde e assistência social estão sofrendo de uma fadiga que chega lentamente, porém doloridamente. E o resto de nós, que trabalha longas horas para sustentar a família, também estamos chegando lá. Às vezes, sentimos que estamos exaustos demais para continuar nos doando aos outros, mesmo sendo o ato de doar-se uma fonte primária de felicidade.

 Então como continuar doando-se sem entrar em fadiga? Dizem que é cuidando de si: Dê-se um presente; você merece. Tire um tempo só para si. Aprenda a dizer não.

Realmente, pesquisas mostram que psicólogos que praticam mais o autocuidado reportam sentir-se menos estressados e mais satisfeitos com a vida. A questão é: O que, exatamente, é o autocuidado? Quanto disso precisamos? O truque é focar no outro e ser generoso, mas equilibrar isso com o autocuidado. Eis algumas práticas que podem lhe ajudar:

  1. Autocompaixão

Uma forma particularmente poderosa de autocuidado envolve transformar nosso relacionamento conosco – particularmente, praticando autocompaixão.

Ter autocompaixão é tratar-se da mesma maneira que você trataria um amigo – com gentileza, ao invés de autojulgamento – especialmente nas ocasiões em que você erra. Autocompaixão é lembrar-se de que todos erramos, ao invés de ficarmos nos torturando por isso. E também significa estar atento e ciente de suas emoções e pensamentos, sem deixar-se envolver demais por eles. Ter autocompaixão não significa ser permissivo ou enfiar o pé na jaca, mas também não significa ser excessivamente autocrítico ou duro consigo.

Elaine Beaumont, PhD, da Universidade de Salford, conduziu numerosos estudos sobre o impacto da autocompaixão na fadiga física e mental e também na fadiga de compaixão. Em um estudo com 100 parteiras – que têm como rotina presenciar o milagre de uma nova vida e as tragédias que podem acompanhar o nascimento de uma criança – Beaumont e sua equipe descobriram que as parteiras que tinham níveis mais altos de autocompaixão também demostraram menos sintomas de fadiga (física, mental e de compaixão). E o oposto foi verdadeiro para as parteiras que eram muito autocríticas. Ela repetiu esse estudo com diferentes profissões ligadas ao cuidado com o próximo e achou resultados similares entre enfermeiros e estudantes em treinamento para serem conselheiros e psicoterapeutas.

Além de se protegerem da fadiga, as pessoas mais autocompassivas tendem a reportar menos estresse e emoções negativas. Elas também são mais otimistas e sentem mais felicidade e outras emoções positivas, entre outros benefícios. Para praticar autocompaixão, tente fazer alguns dos exercícios que a pesquisadora pioneira em autocompaixão, Kristin Neff, estudou e escreveu em seu livro sobre autocompaixão. Alguns deles são: escrever uma carta autocompassiva, fazer uma pausa para autocompaixão e perguntar-se como você trataria um amigo que estivesse na mesma situação.

  1. Conexão Social

Cuidar de nós e dos outros também significa buscar conexão social, o que pode nos dar suporte material e emocional em situações difíceis. Um estudo com enfermeiras descobriu que pertencer a um grupo mais coeso no trabalho ajudar a prevenir a fadiga, reduzindo os efeitos do estresse e do trauma. Isso não deveria ser uma surpresa: conexão social, do nascimento à velhice, é uma das maiores necessidades humanas. A conexão social leva a menores taxas de ansiedade e depressão, fortalece nosso sistema imunológico e pode até prolongar nossa vida.

Pesquisadores concordam que a conexão social tem menos a ver com o número de amigos que você tem e mais a ver com a conexão, subjetiva, que você tem com eles.  Ou seja, você não precisa ser super sociável para colher os benefícios; apenas vise cultivar um sentimento interno de conexão com as pessoas à sua volta.

Mas como? A pegadinha é que o estresse está ligado ao autocentramento; nossa mente estressada se volta para o eu e o meu – nos deixando ainda mais estressados e mais desconectados dos outros. Meditação, yoga, exercícios de respiração, caminhar na natureza, bem como restringir a cafeína, podem nos acalmar e nos dar a disposição de buscarmos a ajuda dos outros. Um estudo conduzido na Universidade de Stanford mostrou que a meditação da gentileza amorosa pode ser uma maneira rápida de gerar um sentimento de conexão. E ainda melhor, tente meditar com um parceiro!

  1. Empatia e Compaixão

Pode parecer contra intuitivo, mas a empatia – que inclui estar atento ao sofrimento alheio – nos ajuda com o nosso próprio sofrimento, especialmente no caso dos cuidadores. Isso é o que mostra as pesquisas com assistentes sociais. A pesquisadora Tania Singer, que trabalha com imagens cerebrais, sugere que o treinamento em compaixão nos ajuda a lidar melhor com o sofrimento dos outros – nos ajudando a ajudar os outros sem ter que pagar um preço por isso.

Uma possível explicação para isso é que, ao desenvolvermos sentimentos de empatia e compaixão, nos protegemos do estresse e de nos sentirmos oprimidos frente ao sofrimento.

Quando você realmente se conecta com o sofrimento do outro, sente-se empoderado e energizado, pois sente-se inspirado a aliviar o sofrimento da pessoa.

Artigo livremente traduzido do original  How to Take Care of Other without Burning Out   de Emma Seppala

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Publicado em 7 de agosto de 2017 por em Sem categoria.
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