Corações & Mentes

"Se eu quiser proteger meus pés dos espinhos, onde encontrar couro suficiente para cobrir toda o planeta? Mas se eu apenas usar couro sob meus pés é como se toda a Terra estivesse coberta" – Shatideva

Não Tem Problema Ficar Triste

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Por Ellie Newman

Não tem problema ficar triste, e nem muito triste. A tristeza, assim como a raiva, é uma emoção muito digna. Mas, também como a raiva, muitos não se sentem confortáveis com sua presença, em si ou nos outros. Podemos ter tanta aversão à tristeza que reagimos com raiva, ou então construímos um muro e procuramos nos distanciar para não sermos contaminados. Pior, ficamos extremamente ressentidos quando alguém a introduz em nosso mundo.

A tristeza é uma das emoções mais difíceis de sentir, e de expressar, pois aprendemos que ela é ruim, que está na categoria das emoções negativas. Culturalmente, buscamos a felicidade e rejeitamos a tristeza. Achamos que tristeza é sinal de fracasso, que é assustadora e, se sucumbirmos, pode ser que ela nunca desapareça. Receamos afundar e nunca mais conseguir voltar à superfície. A tristeza sempre nos foi apresentada como algo destrutivo, a vimos ser usada como arma ou ameaça. Meus filhos não gostam nem que eu finja que estou chorando para conseguir que eles façam alguma coisa – apesar de saberem que estou brincando.

O que nos amedronta tanto na tristeza é que não sabemos o que fazer com ela. Não temos habilidade em lidar com ela. Então tentamos afastá-la e disfarçá-la de qualquer maneira – álcool, trabalho, entretenimento, drogas, raiva – fazemos qualquer coisa para que suma. Somos capazes até de tomar medidas extremas.

Não gostamos de ver outras pessoas tristes e nem de sentir que não temos controle sobre isso; é da nossa natureza. Não gostamos quando sentimos que não sabemos o que fazer com nossas emoções ou com as emoções alheias. Somos a cultura do fazer e do resolver, portanto, queremos que tudo fique bem, e o mais rápido possível. Não queremos sentir uma emoção que nos deixa desconfortável. É estranho e desconcertante. Então, nos convencemos de que sentir tristeza é humilhante e desprezível, e que temos que “sair dessa” e voltar logo a nos alegrar. Nossa intenção é nos livrarmos do desconforto da tristeza, mas acabamos piorando ainda mais a situação.

A tristeza surge com nobres intenções. É a energia que expressa nossa experiência interna de perda ou desapontamento. Ela aparece para nos ajudar, para transmitir uma importante mensagem. Ela nos permite processar uma experiência, passar por ela. Precisamos deixar que a tristeza se expresse em sua totalidade e da maneira como ela é. Quando permitimos a completa expressão dessa experiência interna, criamos uma base firme para nosso bem-estar e para relacionamentos saudáveis e gratificantes.

Portanto, quando a tristeza bater à sua porta, ou à porta de alguém próximo, não saia correndo, permita-lhe entrar. Sinta a profundidade de todas as emoções que surgirem e fique com elas, flua com elas, até que as sensações naturalmente passem. Não tente sufocar ou suprimir sua expressão. Como em qualquer comunicação, se não permitirmos que a mensagem seja devidamente entregue e recebida (expressada), ela retornará mais alta e mais persistente, e de maneira muitas vezes pouco produtiva ou saudável.

Quando a tristeza aparecer e se estabelecer, é melhor tratá-la com respeito e não ficar tentando “alegrar-se”. Procure se acolher nesse momento, fazendo coisas que lhe deem uma sensação de conforto, que lhe ajudem a navegar as ondas da tristeza. Seja gentil consigo mesmo. Faça um chá, aninhe-se no sofá, ou saia para uma caminhada, mas deixe que os sentimentos fluam. Uma vez que a mensagem seja entregue, e que você a tenha escutado claramente e explorado suas vertentes, é hora da resiliência lhe guiar para mares mais tranquilos.

E não espere que a expressão de sua tristeza seja uma trajetória previsível ou constante. As emoções vêm e vão, assim como sua intensidade. Não imponha um tempo, para você ou para os outros.  Reações do tipo “Nossa! Mas faz séculos que isso aconteceu!” ou “Você ainda não superou isso?”  não são apropriadas ou construtivas. Segure o impulso de julgar; não há uma maneira certa.  Não dite parâmetros, busque apenas uma expressão completa e autêntica.

Para dar apoio a uma outra pessoa, você não precisa entender ou concordar com sua expressão ou reação emocional. Somos indivíduos singulares, sentimos e expressamos nossas emoções de formas singulares, com diferentes frequências, em diferentes ocasiões, e não há problema algum nisso. Deixemos o “tem que” de lado e façamos o possível para não ditar ou impor nossas expectativas quando o assunto é a vivência da tristeza – um abraço e uma caixa de lenços é suficiente.

Tradução livre do original It’s O.K. To Be Sad

 

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Publicado em 17 de novembro de 2017 por em Sem categoria.
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